A luta entre liberais e conservadores.
Retirei este texto do "Histoire d' Angleterre" de André Maurois.
É uma bela descrição do que são as diferenças entre liberais e conservadores.
Pouco tempo depois do voto da reforma, Derby, doente, cedeu a Disraeli o lugar de leader do partido conservador. Na mesma altura Gladstone tornava-se o chefe indiscutível do partido liberal; e os dois homens, que desde a queda de Peel sempre tinham vivido em oposição total, encontravam-se agora em conflito directo. Além do seu interesse humano, a luta Disraeli-Gladstone reveste-se de valor exemplar, pois que simboliza a importância de um certo prestígio dramático para o êxito do regímen parlamentar. Se a revolta autêntica tem de ser substituída pelos cidadãos de um país, por revoluções em palácio, é necessário que essas batalhas de oratória sejam espectáculos de nobreza. Graças aos talentos, muito diferentes mas ambos admiráveis, de Gladstone e de Disraeli, as lutas parlamentares foram durante vinte anos lutas de gigantes em Westminster.
Opunham-se duas filosofias e duas atitudes espirituais. De um lado a gravidade séria, a virtude consciente; do outro, o esplendor, o espírito e, sob a aparência de uma frivolidade superficial, uma fé não menos viva que a de Gladstone. Este acreditava no governo pelo povo, queria receber a inspiração do povo e dizia-se pronto a todas as reformas desejadas pelo povo, embora estas fossem atingir as mais antigas tradições da Inglaterra. Disraeli acreditava no governo para o povo, na necessidade de manter os quadros do país, e não admitia reformas a não ser na medida em que respeitassem certas instituições essenciais ligadas a traços fixos da natureza humana. As imagens de Gladstone derrubando árvores em Hawarden e de Disraeli recusando-se a deixar abater uma única árvore em Hughenden, são bons símbolos de duas atitudes políticas.