Entrevistas imaginárias: Paul Samuelson.
Agendei esta entevista com o Paul Samuelson, há mais de três anos. Finalmente o Homem lá conseguiu uma brecha no seu horário para me atender.
Comecei pela pergunta óbvia.
Simbiótica – Paul, o “Economics” é a Bíblia dos Economistas?
Paul Samuelson –É muito melhor que a Bíblia...
Simbiótica – Hããaa...
P.S. – Sim, Sim... repare que não se mexe na Bíblia, já há uns bons 500 anos, enquanto que o meu “Economics”, é mutável. Transforma-se de acordo com o que a cada momento se acha verdade em Economia, dando conforto aos milhares e milhares, que em cada momento da História o procuram para receber a teoria da moda.
Simbiótica – Não receia que esta tendência aglutinadora e de certa forma oportunista ponha em questão a sua obra?
P.S. – Não... Sabe que os economistas têm uma faculdade, deveras Orwelliana, que lhes permite esquecer tudo o que está para trás, a partir do momento em que uma nova verdade surge.
Simbiótica – A prestigiada Joan Robinson tentou a certa altura escrever um manual que competisse com o seu “Economics”. Contudo não teve resultados positivos. Qual o segredo da longevidade do seu livro?
P.S. – Essa senhora tentou ensinar aos alunos, em notas de rodapé, que os factores de produção não são perfeitamente divisíveis...
Simbiótica – E não é verdade?
P.S. – Ouça... A questão não é se isso é ou não verdade. A questão é se essa verdade é suportável. Milhares e milhares de professores, ensinam os alunos, pelas escolas de Economia desse mundo fora, a calcular derivadas e segundas derivadas. Por amor de Smith... não quer deixar essa malta toda desempregada, pois não? E os pobres alunos coitadinhos, tão seguros de si, com os seus 17 valores a Introdução à Economia, não quer que de repente lhes seja dito que tudo o que aprenderam é absolutamente inútil.
Simbiótica – Pode dar-nos um cheirinho do que vai ser a próxima edição do “Economics”?
P.S. – Uns miúdos em França, resolveram embirrar com a Matemática. Até fizeram um manifesto contra a excessiva matematização da Economia. Vou fazer-lhes a vontade. Vou retirar expressões matemáticas do livro, mas mantendo na mesma a falta de reflexão sobre os pressupostos absurdos. Isso deve acalmá-los. Quando as águas estiveram menos agitadas volto a pôr lá as derivações. Simples não é?
Agendei esta entevista com o Paul Samuelson, há mais de três anos. Finalmente o Homem lá conseguiu uma brecha no seu horário para me atender.
Comecei pela pergunta óbvia.
Simbiótica – Paul, o “Economics” é a Bíblia dos Economistas?
Paul Samuelson –É muito melhor que a Bíblia...
Simbiótica – Hããaa...
P.S. – Sim, Sim... repare que não se mexe na Bíblia, já há uns bons 500 anos, enquanto que o meu “Economics”, é mutável. Transforma-se de acordo com o que a cada momento se acha verdade em Economia, dando conforto aos milhares e milhares, que em cada momento da História o procuram para receber a teoria da moda.
Simbiótica – Não receia que esta tendência aglutinadora e de certa forma oportunista ponha em questão a sua obra?
P.S. – Não... Sabe que os economistas têm uma faculdade, deveras Orwelliana, que lhes permite esquecer tudo o que está para trás, a partir do momento em que uma nova verdade surge.
Simbiótica – A prestigiada Joan Robinson tentou a certa altura escrever um manual que competisse com o seu “Economics”. Contudo não teve resultados positivos. Qual o segredo da longevidade do seu livro?
P.S. – Essa senhora tentou ensinar aos alunos, em notas de rodapé, que os factores de produção não são perfeitamente divisíveis...
Simbiótica – E não é verdade?
P.S. – Ouça... A questão não é se isso é ou não verdade. A questão é se essa verdade é suportável. Milhares e milhares de professores, ensinam os alunos, pelas escolas de Economia desse mundo fora, a calcular derivadas e segundas derivadas. Por amor de Smith... não quer deixar essa malta toda desempregada, pois não? E os pobres alunos coitadinhos, tão seguros de si, com os seus 17 valores a Introdução à Economia, não quer que de repente lhes seja dito que tudo o que aprenderam é absolutamente inútil.
Simbiótica – Pode dar-nos um cheirinho do que vai ser a próxima edição do “Economics”?
P.S. – Uns miúdos em França, resolveram embirrar com a Matemática. Até fizeram um manifesto contra a excessiva matematização da Economia. Vou fazer-lhes a vontade. Vou retirar expressões matemáticas do livro, mas mantendo na mesma a falta de reflexão sobre os pressupostos absurdos. Isso deve acalmá-los. Quando as águas estiveram menos agitadas volto a pôr lá as derivações. Simples não é?
